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TRABALHOS DE FIM DE CURSO @PUC-Rio
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Título: RUPTURAS DO SILÊNCIO: VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA E A TRAVESSIA DA PALAVRA
Autor(es): ELAINE NUNES DO NASCIMENTO
Colaborador(es): ANDREA SEIXAS MAGALHAES - Orientador
Catalogação: 12/JAN/2026 Língua(s): PORTUGUÊS - BRASIL
Tipo: TEXTO Subtipo: TRABALHO DE FIM DE CURSO
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Referência(s): [pt] https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/projetosEspeciais/TFCs/consultas/conteudo.php?strSecao=resultado&nrSeq=74872@1
DOI: https://doi.org/10.17771/PUCRio.acad.74872
Resumo:
Este trabalho analisa a violência psicológica contra a mulher como fenômeno relacional e subjetivo, trazendo evidências sobre seus efeitos nos processos de subjetivação feminina. O objetivo consiste em compreender como a violência se sustenta por meio do silêncio, da manipulação afetiva e de mecanismos de controle que dificultam o reconhecimento do abuso e produzem confusão psíquica, culpa e repetição. A pesquisa também busca discutir como a palavra e a escuta podem contribuir como experiências de restituição subjetiva e como caminhos possíveis de reconstrução simbólica no atendimento psicológico. Para alcançar esses objetivos, foi realizada uma revisão bibliográfica, articulando referenciais da Psicologia, Psicanálise, Sociologia e Estudos de Gênero. Foram analisadas produções sobre violência psicológica, dependência emocional, silenciamento, patriarcado e modos de subjetivação, dialogando com autoras como Saffioti, Perrot, Cerruti, Poli e Zamora e Evaristo, além de documentos oficiais como a Lei Maria da Penha e diretrizes da Organização Mundial da Saúde. Foi possível, então, compreender a violência psicológica não como evento isolado, mas como processo contínuo e sutil que produz marcas invisíveis no psiquismo, interferindo no modo como a mulher se percebe, se narra e se relaciona. Os resultados indicam que a violência psicológica opera por meio de ranhuras simbólicas que se infiltram no cotidiano e estruturam uma pedagogia silenciosa de submissão, naturalização da dor, inversão de responsabilidades e esvaziamento da própria palavra. O trabalho mostra que, nas relações abusivas, a vítima tende a interpretar o sofrimento como falha pessoal, enquanto o agressor utiliza discursos que deslocam a culpa, reforçam a dúvida e fragilizam a autonomia emocional. A pesquisa demonstra que romper o ciclo de violência exige, antes da saída física, a saída emocional; exige uma ruptura simbólica que se inicia pela nomeação da violência, pela possibilidade de escutar a própria experiência e pela desconstrução dos significados que sustentam o vínculo adoecido. O estudo demonstra que a escuta clínica, sustentada por ética, implicação e tempo, pode operar como via de elaboração, permitindo que a mulher recupere a capacidade de significar o vivido e, assim, reinscreva-se como sujeito de sua história. Conclui-se que a palavra - escutada, reconhecida e legitimada - constitui um gesto fundamental de desnaturalização da violência e de reconstrução subjetiva, tornando-se instrumento clínico, político e ético na ruptura do silêncio que sustenta o abuso.
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