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TRABALHOS DE FIM DE CURSO @PUC-Rio
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Título: ARETÉ: O IDEAL HEROICO DA TRADIÇÃO HOMÉRICA E SUA ALTERAÇÃO NO PERÍODO PÓS-HOMÉRICO
Autor(es): ALEXANDRE SARAIVA DA SILVA
Colaborador(es): MARCOS GUEDES VENEU - Orientador
Catalogação: 12/JAN/2026 Língua(s): PORTUGUÊS - BRASIL
Tipo: TEXTO Subtipo: TRABALHO DE FIM DE CURSO
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Referência(s): [pt] https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/projetosEspeciais/TFCs/consultas/conteudo.php?strSecao=resultado&nrSeq=74845@1
DOI: https://doi.org/10.17771/PUCRio.acad.74845
Resumo:
Este trabalho dedica-se ao estudo dos ideais heroicos presentes nos poemas homéricos, partindo do exame de figuras como Aquiles, Heitor e Odisseu que articulam diferentes expressões da excelência (areté), da honra (timé) e da glória (kléos) no universo épico da Ilíada e da Odisseia. Partindo da compreensão de que a tradição homérica é produto de uma longa transmissão oral fixada pela escrita apenas no período arcaico, investiga-se o modo como tais narrativas preservam vestígios da sociedade micênica ao mesmo tempo em que refletem a estrutura social emergente da pólis. A partir das contribuições de autores como Gregory Nagy, Moses Finley e Jean-Pierre Vernant, demonstra-se que o herói grego constitui uma figura liminar, situada entre o humano e o divino, cuja excelência se constrói na competição (agón) e na constante necessidade de afirmar superioridade frente aos pares. O estudo analisa Aquiles como modelo do herói combatente, movido pela busca da glória imperecível e marcado pelo paradoxo entre o desejo entre uma vida breve e a opção pela vida curta presente na bela morte no campo de batalha. Heitor, por outro lado, aparece como a personificação do dever cívico, orientado pela proteção da pólis e pela responsabilidade familiar, representando uma forma mais moderada e comunitária de heroísmo. Já Odisseu desloca o ideal heróico para a dimensão da astúcia, articulando sua excelência ao retorno (nostos) ritualístico, cujo retorno à luz e à vida sintetiza tanto sua glória pessoal quanto o restabelecimento da ordem. A pesquisa discute ainda a profunda transformação dos valores heróicos no período pós-homérico, especialmente com o advento da pólis e da reforma hoplítica, que substituem a excelência individual do guerreiro aristocrata pela eficácia coletiva do corpo cívico. Não obstante essa mudança, a memória heróica permanece estruturante da identidade grega, perpetuado não apenas pela literatura, mas também pelo culto aos heróis, que consagrou figuras como Aquiles, Heitor e Odisseu em diversos espaços do mundo helênico. Assim, o estudo demonstra que os ideais heróicos, longe de se extinguirem, são constantemente reelaborados, funcionando como alicerces éticos, religiosos e simbólicos da sociedade grega e como elementos fundamentais para a compreensão de sua tradição cultural.
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