Título
[pt] RUPTURAS DO SILÊNCIO: VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA E A TRAVESSIA DA PALAVRA
Autor
[pt] ELAINE NUNES DO NASCIMENTO
Vocabulário
[pt] PARCEIRO INTIMO
Vocabulário
[pt] SUBJETIVACAO FEMININA
Vocabulário
[pt] PATRIARCADO
Vocabulário
[pt] VIOLENCIA PSICOLOGICA
Resumo
[pt] Este trabalho analisa a violência psicológica contra a mulher como fenômeno relacional e
subjetivo, trazendo evidências sobre seus efeitos nos processos de subjetivação feminina. O
objetivo consiste em compreender como a violência se sustenta por meio do silêncio, da
manipulação afetiva e de mecanismos de controle que dificultam o reconhecimento do abuso e
produzem confusão psíquica, culpa e repetição. A pesquisa também busca discutir como a
palavra e a escuta podem contribuir como experiências de restituição subjetiva e como
caminhos possíveis de reconstrução simbólica no atendimento psicológico. Para alcançar esses
objetivos, foi realizada uma revisão bibliográfica, articulando referenciais da Psicologia,
Psicanálise, Sociologia e Estudos de Gênero. Foram analisadas produções sobre violência
psicológica, dependência emocional, silenciamento, patriarcado e modos de subjetivação,
dialogando com autoras como Saffioti, Perrot, Cerruti, Poli e Zamora e Evaristo, além de
documentos oficiais como a Lei Maria da Penha e diretrizes da Organização Mundial da Saúde.
Foi possível, então, compreender a violência psicológica não como evento isolado, mas como
processo contínuo e sutil que produz marcas invisíveis no psiquismo, interferindo no modo
como a mulher se percebe, se narra e se relaciona. Os resultados indicam que a violência
psicológica opera por meio de ranhuras simbólicas que se infiltram no cotidiano e estruturam
uma pedagogia silenciosa de submissão, naturalização da dor, inversão de responsabilidades e
esvaziamento da própria palavra. O trabalho mostra que, nas relações abusivas, a vítima tende
a interpretar o sofrimento como falha pessoal, enquanto o agressor utiliza discursos que
deslocam a culpa, reforçam a dúvida e fragilizam a autonomia emocional. A pesquisa
demonstra que romper o ciclo de violência exige, antes da saída física, a saída emocional; exige
uma ruptura simbólica que se inicia pela nomeação da violência, pela possibilidade de escutar
a própria experiência e pela desconstrução dos significados que sustentam o vínculo adoecido.
O estudo demonstra que a escuta clínica, sustentada por ética, implicação e tempo, pode operar
como via de elaboração, permitindo que a mulher recupere a capacidade de significar o vivido
e, assim, reinscreva-se como sujeito de sua história. Conclui-se que a palavra - escutada,
reconhecida e legitimada - constitui um gesto fundamental de desnaturalização da violência e
de reconstrução subjetiva, tornando-se instrumento clínico, político e ético na ruptura do
silêncio que sustenta o abuso.
Orientador(es)
ANDREA SEIXAS MAGALHAES
Catalogação
2026-01-12
Tipo
[pt] TEXTO
Formato
application/pdf
Idioma(s)
PORTUGUÊS
Referência [pt]
https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/colecao.php?strSecao=resultado&nrSeq=74872@1
Referência DOI
https://doi.org/10.17771/PUCRio.acad.74872
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