| Título: | ESPAÇO PÚBLICO E RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA: TENSÕES ENTRE AS PRÁTICAS DOS CULTOS RELIGIOSOS NOS ESPAÇOS PÚBLICOS E A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA ANCORADA NO DISCURSO DA SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL | ||||||||||||
| Autor(es): |
ALESSANDRA PEREIRA |
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| Colaborador(es): |
SONIA MARIA GIACOMINI - Orientador |
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| Catalogação: | 30/MAR/2026 | Língua(s): | PORTUGUÊS - BRASIL |
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| Tipo: | TEXTO | Subtipo: | TRABALHO DE FIM DE CURSO | ||||||||||
| Notas: |
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| Referência(s): |
[pt] https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/projetosEspeciais/TFCs/consultas/conteudo.php?strSecao=resultado&nrSeq=75918@1 |
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| Resumo: | |||||||||||||
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A multiplicação de manifestações de intolerância religiosa, principalmente no
tocante as práticas em locais públicos, tem se tornado um motivo de preocupação para a
sociedade brasileira. Há um longo caminho a percorrer para que as religiões de matriz
africana resgatem sua essência, a importância da natureza para a manutenção da cultura
religiosa, ajudando a transformar a forma de se relacionar com o meio ambiente e o
espaço público de modo consciente para por fim ao racismo ambiental, este que não é
um conceito novo, já vem sido discutido a algum tempo, esta em voga desde o final do
século XX, visando a preservação total de areas verdes não destinadas a exploração
econômica e criação de atitudes sustentaveis, pensadas para a manutenção da
natureza,garantindo a médio e longo prazo um planeta em boas condições para que
várias formas de vida, sobre tudo a humana se desenvolva.Garantir a manutenção dos
recursos naturais para futuras gerações, possibilitando a elas,uma boa qualidade de vida.
Denominamos Racismo Ambiental às injustiças sociais e ambientais que
recaem de forma implacável sobre grupos étnicos vulnerabilizados e outras
comunidades, o racismo ambiental é uma violação de direitos humanos e é uma forma
de discriminação causada por governos, grupos ou setor privado, gerando
práticas/ações, que intencionalmente ou não, agridem o ambiente, a saúde, a
biodiversidade, a qualidade de vida e a segurança em comunidades, trabalhadores,
grupos e indivíduos baseados em raça, classe, cor, gênero, casta, etnicidade e/ou sua
origem nacional. A sustentabilidade ambiental, que segundo João Rua, é um processo
que está em movimento, é algo a ser construído, e não um conceito acabado, conforme
o poder dominante quer nos fazer acreditar através do discurso do desenvolvimento
sustentável. João Rua (2007, p. 184) baseia-se na noção de autonomia propondo uma
forma de construir continuamente os desenvolvimentos e sustentabilidades. O
desenvolvimento autônomo, segundo ele, destaca as demandas locais, resgata a força do
lugar, mas é multiescalar, já que procura reduzir ao mínimo ou eliminar as assimetrias
que marcam a integração do local ao global. Conquistar territorialidade
autônoma, requer a conquista de novos direitos e liberdades para maior número de
pessoas.O caminho possível apontado por Rua para que se construa coletivamente
desenvolvimentos e sustentabilidades pode estar no desenvolvimento autônomo. Porém,
é preciso ressaltar que a autonomia é um processo, um movimento, e não um fim, há que
se lidar com múltiplos desenvolvimentos.
Deveria deixar-se aos habitantes de cada lugar (em sua heterogeneidade
social, econômica, cultural), em uma integração multiescalar que alcance o Estado
nacional, o direito de decidir sobre as formas de vivenciar as suas territorialidades e de
definir os padrões de sustentabilidade, escolhendo, assim, o seu modelo de
desenvolvimento (RUA, op. cit, p. 171).
O termo sustentabilidade ambiental é questionado por uma parcela de adeptos
que afirmam que o candomblé pode resgatar sua essência, pautado em sua filosofia,que
é a natureza como essência pura e irrestrita e alguns ativistas das religiões de matriz
africana, além de discutirem o tema até a exaustão,buscam diversas alternativa e tem
apontado o discurso da sustentabilidade ambiental como uma das estratégias a serem
utilizadas para fomentar a intolerância religiosa aos praticantes dessas religiões, já que o
debate, que na maioria das vezes gira em torno de poluição ambiental e questionamentos
sobre os vasilhames e outros utensilios, além de restos de oferendas deixados no espaço
público tem contribuído para que sejam impostas dificuldades para exercer os cultos e
práticas dessas religiões em locais públicos.
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