Título
[pt] DAS FORMAS ILIMITADAS: UMA INTERPRETAÇÃO SONORA PARA A AVE, DE WLADEMIR DIAS-PINO
Título
[es] DE LAS FORMAS ILIMITADAS: UNA INTERPRETACIÓN SONORA DE EL AVE, DE WLADEMIR DIAS-PINO
Título
[en] ON LIMITLESS FORMS: A SONIC READING OF THE BIRD BY WLADEMIR DIAS-PINO
Autor
[pt] THADEU RABELO CECILIO DOS SANTOS
Vocabulário
[pt] MUSICA
Vocabulário
[pt] MACUNAIMA
Vocabulário
[pt] INFINITUDE
Vocabulário
[pt] PERFORMANCE
Vocabulário
[pt] SOM
Vocabulário
[pt] POESIA
Vocabulário
[es] MUSICA
Vocabulário
[es] MACUNAIMA
Vocabulário
[es] INFINITUD
Vocabulário
[es] SONIDO
Vocabulário
[es] POESIA
Vocabulário
[en] MUSIC
Vocabulário
[en] MACUNAIMA
Vocabulário
[en] INFINITY
Vocabulário
[en] PERFORMANCE
Vocabulário
[en] SOUND
Vocabulário
[en] POETRY
Resumo
[pt] Esta tese propõe uma interpretação sonora para o poema processo A ave
(1956), de Wlademir Dias-Pino (1927-2018). Em uma perspectiva mais
ampla, a hipótese se inspira em uma compreensão musical da poesia
visual, se valendo de manifestações sonoras para tensionar e criticar as
imagens de A ave. Dias-Pino produziu poemas a partir de uma receita
concretista que ganharia notoriedade como a teoria prática do grupo
Poema Processo. Na receita, os poemas são realizações de uma matriz
capaz de gerar infinitas versões. Poemas processo como A ave são, em
sua maioria, séries de imagens que giram obsessivamente em torno de um
mesmo tema. No entanto, cada exemplar da série é distinto: os poemas
não são criados para seguir uma ordem, mas para entrar na série – ou seja,
para assumirem uma posição em dado momento –, e assim se replicar,
sem hierarquia de aparição. Essas imagens são simultâneas e se dão no
que Dias-Pino chamou de contínuo-espaço-tempo. A recriação das
versões é extremamente volátil, o que representa a refiguração constante
da imagem do poema visual. Essas possibilidades formais podem ser vistas
no panorama de A ave apresentado: o livro-objeto inaugural (1956), a
instalação em Arte no Aterro (1968), as centenas de imagens inéditas que
estão publicadas no Anexo 1, as versões de Falves Silva publicadas no
Anexo 4 pela primeira vez em repositório público, e o rumor – o excedente
daquilo que uma cadeia processual sempre promete. Neste estudo, A ave
é analisada como um trabalho-guia que atravessa quase toda a trajetória
poética de Dias-Pino – mais de setenta anos de produção artística. Para
sustentar a hipótese da interpretação sonora, a tese estabelece um paralelo
entre os procedimentos de Dias-Pino em A ave e o trabalho teórico e prático
de Mário de Andrade. Poeta e crítico musical, Mário de Andrade tomou o
som como eixo central dos livros de ficção que marcaram a primeira fase
de sua produção, como o poemário Pauliceia desvairada (1922) e a
rapsódia Macunaíma (1928), nas quais desenvolve uma escrita marcada
pela variedade, pelo ritmo e pela liberdade composicional – recursos que
resultaram na criação das formas ilimitadas. A partir de Gilda de Mello e
Souza, observa-se que a diversidade estrutural de Macunaíma se aproxima
da lógica de variação presente em A ave. A multiplicidade da forma, sua
representação exponencial e a capacidade de alteração constante
alicerçam o corolário dessa hipótese: a leitura de A ave como poema
macunaímico – termo aqui utilizado para indicar uma forma flexível, mutável
e sem referência fixa. E tal tarefa se faz decisivamente diante de uma
aparição sonora – é nesse intervalo da imagem que se produz buscando o
som e que se comporta como música que se pode admirar, como diz Jean-Luc Nancy, um barulho visual (bruit visuel) no sistema de arte.
Resumo
[en] This thesis proposes a sonic interpretation of the process poem The Bird (A ave, 1956) by Wlademir Dias-Pino (1927-2018). From a broader perspective, the hypothesis is informed by a musical understanding of visual poetry, drawing on sonic manifestations to challenge and critically engage with the images of The Bird. Dias-Pino developed his poems based on a concretist formula that would later gain recognition as the practical theory of the Poema Processo group. In this formula, poems are generated from a matrix capable of producing infinite versions. Process poems like The Bird are image sequences that revolve obsessively around a single theme. However, each instance in the series is distinct: the poems are not created to follow a fixed order, but to enter the series – that is, to assume a positionat a given moment – and thus replicate themselves without any hierarchy of appearance. These images are simultaneous in what Dias-Pino called a space-time-continuum. The recreation of versions is extremely volatile, reflecting the ongoing refiguration of the visual poem s image. These formal possibilities are evident in the broader corpus of The Bird, which includes: the original object-book (1956), the exhibition at Arte no Aterro (1968), the hundreds of unpublished images presented in Appendix 1, the versions by Falves Silva published in Appendix 4 for the first time in a public repository, and the rumor – the excess inherent to what a processual chain always promises: what is yet to come. In this work, The Bird is examined as a guiding work that spans nearly the entire poetic trajectory of Dias-Pino, more than sixty years of artistic production. To support the hypothesis of a sonic interpretation, this thesis establishes a parallel between the procedures experimented by Dias-Pino in The Bird and the theoretical and poetic work of Mário de Andrade. A poet and music critic, Mário de Andrade placed sound at the center of the fictional works that defined the first phase of his career, such as the poetry collection Pauliceia desvairada (1922) and the rhapsody Macunaíma (1928). In these works, he developed a form of writing marked by variety, rhythm, and compositional freedom – elements that allowed for the creation of limitless forms. Drawing on Gilda de Mello e Souza, this thesis argues that the structural diversity of Macunaíma aligns with the logic of variation present in The Bird. The multiplicity of form, its exponential unfolding, and its constant capacity for transformation ground the corollary of this hypothesis: the reading of The Bird as a Macunaimeanpoem – a term used here to describe a flexible, mutable structure with no fixed referent. A sonic manifestation ultimately shapes this interpretive task – it is in the interstice of the image, which reaches toward sound and behaves like music, that one may apprehend, as Jean-Luc Nancy suggests, a visual noise (bruit visuel) within the system of art.
Resumo
[es] Esta tesis propone una interpretación sonora del poema proceso El ave (A ave, 1956), de Wlademir Dias-Pino (1927-2018). Desde una perspectiva más amplia, la hipótesis parte de una comprensión musical de la poesía visual, utilizando manifestaciones sonoras para tensionar y cuestionar críticamente las imágenes del poema. Dias-Pino desarrolló sus obras a partir de una fórmula concretista que posteriormente adquiriría reconocimiento como base teórica y práctica del grupo Poema Proceso. En esta fórmula, los poemas se conciben como realizaciones de una matriz capaz de generar versiones infinitas. Poemas proceso como El aveconsisten, en su mayoría, en secuencias de imágenes que giran obsesivamente en torno a un mismo tema. Sin embargo, cada ejemplar de la serie es único: los poemas no siguen un orden preestablecido, sino que se insertan en la serie – es decir, ocupan una posición en dado momento – y se replican sin jerarquía de aparición. Las imágenes son simultáneas y se despliegan en lo que Dias-Pino denominó un continuo-espacio-tiempo. La recreación de versiones es altamente volátil, lo que implica una reconfiguración constante de la imagen en el poema visual. Estas posibilidades formales se evidencian en el conjunto de El ave que se presenta en esta tesis: el libro-objeto original (1956), la instalación expuesta en Arte no Aterro (1968), cientos de imágenes inéditas publicadas en el Anexo 1, las versiones de Falves Silva incluidas por primera vez en un repositorio público (Anexo 4), y el rumor – el excedente de aquello que una cadena procesual siempre promete: lo que está por venir. En este estudio, El ave se analiza como una obra-guía que atraviesa casi toda la trayectoria poética de Dias-Pino, es decir, más de sesenta años de producción artística. Para fundamentar la hipótesis de una interpretación sonora, la tesis establece un paralelo entre los procedimientos empleados por Dias-Pino en El ave y el trabajo teórico y creativo de Mário de Andrade. Poeta y crítico musical, Andrade situó el sonido en el centro de sus obras de ficción más tempranas, como el poemario Pauliceia desvairada (1922) y la rapsodia Macunaíma (1928), en las cuales desarrolló una escritura marcada por la variedad, el ritmo y la libertad compositiva —recursos que dieron lugar a formas ilimitadas. A partir de la lectura de Gilda de Mello e Souza, se argumenta que la diversidad estructural de Macunaíma guarda afinidad con la lógica de variación presente en El ave. La multiplicidad formal, su expansión exponencial y su constante capacidad de transformación sustentan el corolario de esta hipótesis: la lectura de El ave como un poema macunaímico – un término utilizado aquí para referirse a una estructura flexible, mutable y sin referente fijo. Esta tarea interpretativa se define, finalmente, a partir de una aparición sonora: es en el intersticio de la imagen – cuando esta tiende hacia el sonido y se comporta como música – que se puede vislumbrar, como propone Jean-Luc Nancy, un ruido visual (bruit visuel) en el sistema del arte.
Orientador(es)
FREDERICO OLIVEIRA COELHO
Banca
FREDERICO OLIVEIRA COELHO
Banca
PATRICIA GISSONI DE SANTIAGO LAVELLE
Banca
LEONARDO DAVINO DE OLIVEIRA
Banca
ROBERTO ZULAR
Banca
GONZALO MOISES AGUILAR
Catalogação
2025-11-11
Apresentação
2025-09-29
Tipo
[pt] TEXTO
Formato
application/pdf
Idioma(s)
PORTUGUÊS
Referência [pt]
https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/colecao.php?strSecao=resultado&nrSeq=73981@1
Referência [en]
https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/colecao.php?strSecao=resultado&nrSeq=73981@2
Referência [es]
https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/colecao.php?strSecao=resultado&nrSeq=73981@4
Referência DOI
https://doi.org/10.17771/PUCRio.acad.73981
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